Pinto da Costa: “Havia um sentimento de salvação nacional para o Benfica ganhar alguma coisa”

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O plantel do FC Porto, juntamente com o presidente Pinto da Costa esteve no Museu FC Porto para entregar os troféus de campeão nacional e da Taça de Portugal

Pinto da Costa:

“Meus queridos campeões, esse nome não é para qualquer um, porque para se ser campeão é preciso merecer. Para se ser campeão, é preciso ter qualidades físicas, morais e intelectuais, algo que vocês mostraram desde a primeira hora nesta época. Foi um percurso longo e difícil, com muitas cascas de banana para nos tentar fazer cair, mas a tudo soubemos reagir e tudo soubemos ultrapassar. É, neste momento, um motivo de enorme felicidade para todos. Para mim, em especial, porque tenho a felicidade de ter comigo a trabalhar, em prol do FC Porto, quem eu quero. Não está ninguém porque foi preciso vir alguém em vez do que eu queria. Não, estão aqui todos os que eu quis que estivessem. Não é pela amizade que nos une, porque tenho uma amizade sincera com todos e por todos tenho o mesmo apreço, mas ao longo dos anos vamos cimentando amizades que perduram para toda a vida. Tenho pelo Sérgio Conceição um amor fraterno. Vi-o chegar aqui com 16 anos, acompanhei a sua carreira, a sua vida e a forma como subiu pela escada sem ajudas. Todos compreenderão que, para mim, vê-lo entre as duas taças é como se estivesse a ver um filho ou neto. São momentos de glória e que são inesquecíveis. Tivemos a felicidade de ver e viver esses momentos, que nenhum de nós irá esquecer. Falam dos títulos conquistados na minha presidência mas, para mim, todos os títulos da história do FC Porto são importantes, independentemente do presidente. Como presidente, posso dizer que foi o título que mais alegria me deu, pelas dificuldades, pela situação caótica do país e pela vontade de televisões e jornais de não ganharmos. O sentimento que vos transmito é de grande felicidade. Obrigado, vocês estão na história do FC Porto, por isso fiz questão que viessem ao Museu, porque é aqui que está a história. O futuro constrói-se nos gabinetes, no Olival e no relvado, mas a história fica perpetuada no Museu. Vocês ficam ligados ao título mais difícil e mais merecido que o FC Porto venceu na sua história. Sintam-se todos abraçados por um amigo sincero, que muito vos aprecia, que muito vos quer e que vos deseja as maiores felicidades do mundo.”

“Esta Taça de Portugal teve um sabor especial. Ganhar ao Benfica ou ao Sporting tem um significado especial. São sempre vitórias. Jogámos uma hora com dez e foi muito difícil. Todas as armas estavam apontadas a nós e havia um sentimento de salvação nacional para o Benfica ganhar alguma coisa. Mesmo com dez, esta época a nossa equipa foi irresistível. Em todas as circunstâncias, vencemos categoricamente. O Benfica, não tendo aproveitado a superioridade numérica, foi um digno vencido. Tentou ganhar e teve desportivismo no final. No futebol há sempre três resultados possíveis. Os grandes derrotados desta época foram alguns comentadores e alguns órgãos de comunicação social. Um inteligente lá do bairro disse que o Benfica vinha ao Dragão dar o xeque-mate no campeonato e que era grande demais para jogar em Portugal. Essa equipa, no fim, não ganhou nada. O Benfica perdeu, soube perder e perdeu com dignidade.”

“Todas as pessoas responsáveis com quem falei, todas acharam inacreditável não poderem estar algumas centenas de pessoas a assistir à final de ontem. Toda a gente acha que não faz sentido, que não tem razão de ser. Isto vai levar clubes à falência, como aconteceu com o CD Aves, que estava à espera das receitas dos jogos com o FC Porto e com o Benfica para regularizar pagamentos. Permite-se público nas touradas e em espetáculos fechados, mas num jogo de futebol ao ar livre, não. Só queria entender, mas ninguém me explica. Mas quem é que manda, afinal? Este país está sem rei nem roque. Há muita gente que permite isto e vai levar clubes à falência. O futebol é para o público, não é para nos divertirmos sozinhos. Acho inadmissível que jogos como a final de ontem não tenham público. A final da Taça de França teve 10 mil pessoas nas bancadas e não houve problema nenhum. Isto demonstra o desprezo dos nossos governantes pelo futebol.”