Sérgio Conceição: “A equipa está focada e a trabalhar muitíssimo bem”

Sérgio Conceição
Sérgio Conceição, treinador FC Porto 2019/2020. Fotografia: Ivo Carvalho

Sérgio Conceição projetou o regresso do campeonato com a realização da 25.ª jornada, na qual o FC Porto joga em Famalicão (quarta-feira, 21h15)

O regresso à sala de imprensa do Olival
“É com gosto e enorme prazer que estou aqui outra vez depois de praticamente três meses fora da competição, das conferências. Algumas vezes com opiniões divergentes, mas é sempre bom estar de volta. Nós nunca parámos. Não fomos de férias e trabalhámos sempre. Isso demonstra a vontade e a esperança que tínhamos de que o campeonato ia ser retomado, para demonstrarmos no campo que éramos e que somos a melhor equipa. Queremos acabar sendo a melhor equipa do campeonato, pois isso é que é importante.”

Foco no trabalho e esperança
“Estes quase três meses não foram fáceis para ninguém. Foi preciso sermos inteligentes na forma como queríamos manter o plantel sempre a trabalhar e motivado, com o foco e a esperança de que as coisas iam ser retomadas. A equipa está focada e a trabalhar muitíssimo bem. Fez um trabalho fabuloso nestas últimas semanas, mas também no tempo em que esteve em casa. Houve um grande esforço de toda a gente no clube. Obrigado a todos e aos jogadores pelo trabalho que fizeram. Estamos preparados e sabemos que vamos defrontar uma equipa que, para mim, é a verdadeira surpresa do campeonato. Tem muita qualidade individual e um treinador que está a demonstrar que tem categoria para fazer o trabalho que está a fazer e que tem futuro. Agora é treinador principal com muito mérito. Precisamos de estar equilibrados em Famalicão para não sermos surpreendidos.”

Uma paragem sem benefícios
“Esta paragem não beneficiou ninguém. Ninguém estava à espera desta pandemia e da situação em que o mundo se encontra. Não quero entrar num discurso em que uma equipa ganhou coisas e outras não. Esta crise não beneficiou ninguém e o futebol também sofre. Houve muita gente a perder pessoas que eram queridas. É redutor estarmos a falar especificamente do futebol e se uma equipa ganhou mais ou menos do que outra.”

Um mundo novo
“Temos um mundo novo e as normas de segurança são para toda a gente. O futebol faz parte dessa responsabilidade social e toda a gente tem que ter essa responsabilidade. Não é fácil salvaguardar a saúde das pessoas, mas aquilo que desejo é que não se entre num exagero e que um futebol seja um exemplo positivo. Mas a minha grande preocupação é a equipa do Famalicão. Vamos jogar num ambiente limpo, pois somos todos controlados. Aproveito para dar os parabéns por se terem criado as condições para terminar o campeonato. Sou a favor de tudo aquilo que faça do futebol um espetáculo.”

Marcano e Nakajima
“É sempre mau não ter todo o plantel à disposição. Lamento profundamente o que aconteceu ao Marcano, que é um jogador muito importante para nós e no balneário. Em relação ao Nakajima, não está no grupo de trabalho. A Direção vai tratar da melhor forma a ausência dele e não há muito mais a falar. Claro que gostaria de ter toda a gente disponível.”

Novos desafios
“É um desafio diferente. Em termos de preparação, tivemos imenso tempo para preparar este jogo, mas não sabemos o que vamos encontrar do outro lado. Quando existe uma pré-época, definimos microciclos de treino, mas aqui foi tudo diferente. Em quase três meses, só há pouco tempo é que os jogadores se juntaram nos treinos coletivos. Isso é um desafio diferente. Nesse sentido, foi difícil, mas naquilo que é a preparação do jogo, a nível tático e estratégico, foi preparado da mesma forma. Até tivemos mais tempo para preparar alguns pormenores, mas existe a dificuldade de não sabermos o que vamos encontrar do outro lado.”

As bancadas despidas de adeptos
“Vai ser diferente entrar num jogo oficial sem público. É como os condimentos que faltam numa boa salada, mas se temos fome, temos que a comer na mesma. Temos fome de voltar a jogar e de ganhar, de conquistar títulos. É com essa fome que temos de ir lá para dentro. É como se tivéssemos os nossos adeptos nas bancadas a apoiar-nos do primeiro ao último minuto. Temos de olhar para o jogo dessa forma, mas é óbvio que vai ser diferente. Falta o incentivo dos adeptos aos 93 minutos, que faz falta e que é essencial naquele momento. Até as assobiadelas fazem falta. Muito sinceramente, não é a mesma coisa, mas temos de olhar para a situação e enfrentá-la como ela é. Vamos jogar num estádio sem público frente a um adversário que vai querer fazer o seu jogo e ganhar.”

O expectável e o desconhecido
“O desconhecido é mais no plano físico, que é muito importante no futebol, mas acredito que o Famalicão trabalha ao mais alto nível. Tem uma estrutura sólida que faz com que o clube seja estável. Conhecemos todos os jogadores individualmente e aquilo que fazem na equipa. Conhecemos bem o Famalicão coletivamente e aí não há grandes segredos. Não acredito que vá mudar muito aquilo que tem sido a dinâmica da equipa e aí não há surpresas. O desconhecido é a envolvência do estádio e tudo aquilo que é novo para nós. Estamos na reta final, a dez jogos do fim, por isso não há grandes novidades.”

A ausência de Alex Telles
“O Manafá é uma solução para a esquerda, como podem ser outros jogadores.”

A dinâmica da equipa
“Espero que seja retomada a dinâmica que estava a ter no campeonato. Aquando da paragem, a equipa estava bem e tinha ganho jogos importantes. Recuperámos alguns pontos na tabela que nos eram essenciais para a luta pelo nosso principal objetivo. Trabalhámos ao longo destes quase três meses para dar continuidade a essa dinâmica. Não falo do último jogo, que foi um empate, mas foi unânime que merecíamos ganhar e até por mais do que um golo. Não conseguimos devido a uma noite infeliz da terceira equipa e agora poderíamos estar com três pontos de vantagem, que seriam quatro, sobre o nosso rival. Aproveito para desejar a maior felicidade do mundo às equipas de arbitragem e que, quem ganhar dentro das quatro linhas, que ganhe com mérito.”

Sem Marcano e Alex Telles na defesa em Famalicão
“Queríamos ter todo o plantel à disposição. Quando se fala em defesa, fala-se em organização defensiva, que é tão importante como o processo ofensivo. Estou tranquilo pois toda a gente está comprometida em fazer o seu papel na equipa. Jogue quem jogar, a eficácia defensiva será grande, tenho a certeza.”

Texto: FCP